sábado, 25 de fevereiro de 2012


A Dama do Corselet Rendado


Ele a ajudou a amarrar  o corselet da base dos quadris  até o fim das costas, um pouco abaixo dos ombros.A fita de cetim comprimia e definia-lhe as formas do corpo à medida que ele formava os nós,um a um.Mordiscou-lhe o pescoço,num movimento inesperado,que a fez estremecer.Mesmo após o que acabara de acontecer,não tinha total certeza das intenções de seu amante.A noite anterior havia sido absolutamente surpreendente.Atração fácil,esmagadora.Não era do seu feitio,misturar os campos de atuação.Mas,seduzir aquele jovem abastado,pareceu-lhe a melhor maneira de alcançar seu objetivo.Abellardo,pertencia a uma das Famílias-pilares do grupo secreto.Não negava que havia passado uma noite bastante agradável,mas aliar isso ao fato de que ele poderia levá-la à “Chave”,era simplesmente esplêndido.O termo designava a organização de extermínio,que havia convocado sua linhagem há muitos anos atrás.Aquela sina,havia lhe levado a família,a honra,tudo o que lhe era mais caro.Era de sua natureza o desejo de vingança.E sabia que o faria.Virou-separa o jovem robusto e seminu,que ainda a auxiliava com sua vestimenta rendada.Encarou-a de volta,estranhando o olhar gélido que acabara de receber.




-O que há,Miss G.?-Ele perguntou calmamente.Uma expressão de certo divertimento,invadia seu rosto angular.
-Nada que eu não possa resolver.-Respondeu a moça,gelando pelo termo que ele acabara de pronunciar.Seu codinome.Ele não poderia saber disso a menos que...
-A Srta deve ser a Georginna Murdock.-Sugeriu ele.Abotoando a camisa de linho branco.
-A que se refere,senhor?Não se lembra que me chamo Isabela,meu querido?-Desconversou ela,já sentindo a pequena faca que trazia escondida em seu corpete francês.Uma lâmina de cinco centímetros,com sua empunhadura disfarçada num detalhe decorativo da vestimenta,se escondia perfeita e discretamente,sendo de fácil acesso para ela.Um pouco abaixo do busto,na curva da cintura.


-Não é isso que diz sua expressão,minha cara,Miss G.Sei que estava à minha procura.Sei o que quer.
-Você é a Chave?-Indagou ela,absolutamente pasma.
-Assim como és o Cofre.-Respondeu ele,completando a senha de identificação entre os membros da organização.
Ela não podia acreditar no imenso erro que acabara de cometer.


                                                       CONTINUA...


Bon soir,caríssimos...Aqui estou eu a realizar a minha primeira postagem neste blog ilustríssimo.
Espero que apreciem. ^^


                                                                          Um abraço,
                                                                                                               Dame Auteine.














quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Ordem das Rosas Vermelhas




             -Acho que levarei este! – a estridente voz da idosa  dama o tirou de suas análises, voltando ao seu trabalho, desviou o olhar da vitrine, mas antes de encarar aquela face enrugada ou a pequena jóia que escolhera, o vendedor deu-se o luxo de passar o olhar pela moçoila que acompanhava timidamente a velha. Linda jovem dama. Começou a percorrer os olhos pelos cabelos castanhos de uma tonalidade clara e suave, levemente ondulados, partido ao meio, ladeado por duas tranças que levavam os fios, harmoniosamente, para trás. Embora não pudesse ver, mas imaginava que o longo cabelo descia como uma sinuosa cascata castanha por suas delicadas costas. Seus olhos começaram a percorrer as formas sutis que as sobrancelhas da jovem formavam. Finas, leves e arqueadas. Descendo pelo nariz fino e perfilado, chegou até sua boca, uma fina linha dobrada nos cantos emoldurados pela rosada e húmida carne a quem chama de lábios, subia pela maçã, rosadas como um fruto campestre convidando para ser degustado em uma tarde quente de verão, sua pele macia refletia uma dama jovem, começando sua vida na sociedade em seus plenos quinze anos, quando seus olhos fixaram-se nos dela, ele finalmente pôde lê-la. Viu dentro de sua alma inocente, todas as suas dúvidas, medos, angústias e... desejos. Leu e deleitou-se com o que lia... sua obsessão... sua infância... O rosto do rapaz havia se voltado para o da madame, mas seus olhos demoraram um tempo praticamente imperceptível para dar-lhe atenção, mas o suficiente para...
         -Perfeita... – deixar escapar por entre os lábios em um sussurro penetrante. – Não poderia ter feito melhor escolha. - falou suavemente para dama.
         -Claro que não! – respondeu-lhe com sua estúpida arrogância – O que achou Clarice? – notava naquela tom de voz, um desprezo muito bem escondido, a opinião da jovem pouco importava no momento.
         Foi como uma melodia para seus ouvidos, era suave, era doce e preenchia seu peito de fervor, quando os lábios rosados formaram aquelas palavras, seu significado pouco importava, o som... o som tímido e sereno preencheu seus ouvidos e a frase fora esculpida no ar como uma obra de arte é esculpida em mármore Carrara.
         -É lindo mamãe, maravilhoso.
         Mas seus olhos não brilharam como era de costume nas pessoas, principalmente as jovens noivas e os vigaristas, quando encaravam uma preciosidade de seu agrado. Seus lindos orbes castanhos refletiram uma memória... uma memória longínqua mas que recentemente havia retornado para assombrá-la, mas não conseguiu distinguir, o que o deixou mais intrigado, se era uma memória boa ou ruim... o vendedor não havia cogitado a possibilidade de ser as duas em tempos diferentes, o antagonismo complementar atemporal da vida das pessoas ainda era um grande mistério que estava sendo desvendado por ele.
         Podre homem, preso em seus dons que o atormentavam como uma maldição. Mais miseráveis ainda, aqueles que o cercam. Cercar uma vil criatura como tal, a fim de arrancar algum proveito tem seu preço e há de cobrar um preço demasiadamente caro para a maioria dos mortais, algo pelo qual se preza... pelo qual se vive; o preço pago não é a vida, mas sim o sentido de viver e sentir. Para os imortais, o tormento de caírem no esquecimento supera qualquer tortura física. Para essas almas excêntricas não há limites para sua ambição.

***



Espero que tenham gostado, o mesmo trato, continuo a postar com comentários...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Sobreviventes - Mundo despedaçado

- Corre! Corre! Coorre! – Igor repetia a palavra intensamente, enquanto voava como o vento.

O chão, os carros, as pedras, a cidade inteira parecia estar se erguendo, se levantando para pular em um abismo. Tudo o que eles faziam era correr como loucos, tentando subir a ladeira que ficava cada vez mais íngreme.

- Cuidado! –Um grito, um empurrão e Cris desvia ele mesmo e Igor de uma moto que caía a toda velocidade.
- Putaquepariu! Continua!

A destruição tinha acabado, as ruas e as casas estavam rachadas, mas eles não pararam. Seguiram correndo em frente até chegar em um espaço aberto, mais acima no Mont Serrat.
Aparados por um muro viram toda a destruição que havia acontecido na região próxima à praia.
As casas eram abraçadas pelo mar, a igreja havia simplesmente sumido. O forte estava em uma elevação maior do que o de costume, carros boiavam no mar e uma cratera gigantesca estava na Bahia de Todos os Santos, dragando a água, embarcações e todo tipo de coisa que houvesse por perto.

- O que diabos aconteceu? O... QUE DIABOS ACONTECEU!? – Passou uma senhora correndo com seu cachorro ensanguentado nos braços, em pânico em meio ao caos. –Socorro! Socorro!
- Velho... – Cris não conseguia pensar em muita coisa - Temos que dar o fora... Algo me diz que não acabou ainda... –Coçou a barba grande lentamente.
- Eu tenho que passar em casa rápido. Eu tenho me preparado pra esse dia. - Igor olhou sério para o amigo, mostrando falar a verdade.
- Como assim?
- Depois eu te explico.
Cris assentiu, nervosamente. Pegou o celular que tinha acesso a Tv e sintonizou em um canal de notícias. A história era a mesma no mundo todo. Tudo desmoronando, tudo caindo em pedaços, toda a humanidade posta em risco.

> Em Salvador, perto das regiões litorâneas houve desabamentos, deslizamentos gigantescos de terra... Na região metropolitana há engarrafamentos, desabamentos e um helicóptero caiu na Praça do Campo Grande... Não há notícias sobre mortes ainda, mas têm-se informações sobre desaparecidos, um número que já passa de Os bombeiros indicam que os cidadãos não saiam de casa. Ou procurem abrigo mais próxi...

-Não saiam de casa? Pff. Não se deve acreditar em tudo que a tv diz. – Igor disse, com um ar depreciativo. - Vamos. Vamos buscar meus suprimentos.

Continua

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Ordem das Rosas Vermelhas

A Ordem das Rosas Vermelhas







O JOALHEIRO



-São lindos!
         -São brilhantes cravejados em ouro branco, minha senhora.
         -Realmente muito lindo...
         -Esta esmeralda foi polida e lapidada cuidadosamente até sua última aresta.
         -Maravilhosa.

“Sim, maravilhosa...” pensou o jovem rapaz que estava parado do lado interno do balcão. Permitiu-se desviar o olhar da madame pomposa que, de forma tão indecisa escolhia um anel. Desviou o olhar para além do vidro da joalheria onde as pessoas passavam apressadas, outras paravam e, como se estivessem hipnotizadas, acariciavam com o olhar, cheio de desejo, aquelas peças que jamais teriam. No que pensariam? O que passaria por duas mentes obscuras quando admiravam os símbolos de ostentação de um mórbido poder?  O brilho da ganância era refletido em seus olhos até que... despertariam de seu torpor. Trazidas com violência para a sua realidade. Continuariam trilhando os caminhos de sua existência. Para elas, aquela vitrine voltaria a assombrar suas mentes. Para o jovem vendedor, aquelas pessoas deixariam de existir à partir do momento em que saíssem de seu campo de visão, limitado pala vitrine.


         Continua...


Gostaram? Comentem ^^ Continuação da história com comentários!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sobreviventes


O grande cisma


Os dois andavam pela praia. Chovia
havia dias, mas a semana puxada, batida e acima de tudo estressante, os
empurrava para a praia, fazendo chuva ou sol. Igor se animava sempre, colocando
cor na face, quase sempre pálida durante a semana. Cris caminhava absorto em
idéias que desapareciam tão rápido quanto surgiam. Como nevoas. Refletia
bastante quando ia a praia, com os pés sobre a areia, as ondas quebrando e o
vento lambendo seu rosto. O olhar sempre distante...

- Cris! Vamos, filho!- Igor gritou, animando o amigo- Corre! Vê se consegue
alguma coisa, atleta!

Cris quase nunca corria ou praticava qualquer coisa. Quando criança, nunca
aprendera a andar de bicicleta ou coisas do tipo. Diferente de muitas crianças,
ficava muito mais tempo a criar, desenhar e inventar histórias. Cresceu assim:
Mais pra dentro do que pra fora.

- Nããão, obrigado! Velocidade me enjoa! – Riu com a brincadeira irônica. O
colega já regressava da sétima volta com um ar pesado, mas de pura realização.

- Não era você o atleta? O nadador? O corredor da Ribeira?- Ironizou rebatendo
a acidez herdada do sangue argentino do pai, mas, ainda amigável.

-Hmm... Isso faz tempo. – E fazia mesmo. Quando estava no auge da adolescência
e a natação era um remédio para a renite e as tardes ensolaradas e abafadas de
salvador.

- Escuta, Igor... – O amigo parou de correr, mas mantinha o pique com o
movimento das pernas, como se corresse parado. - Não acha que o tempo está
estranho demais? –O rapaz magro e amarelo o olhou com a expressão séria, como
fazia quando interiorizava um pensamento.

- Na verdade, mais estranho que nunca.

As nuvens negras e pesadas como zepelins de ferro pairavam, a semanas.
Acidentes aéreos estavam se tornando constantes, cortes na energia e na
comunicação aconteceram três vezes no mês. As pessoas irritadiças e
agressivas... Era como se a lei de Murphy caísse sobre o mundo todo,
multiplicada infinitamente por uma energia densa.


- Parece que, pelo que vi na tv, é no
mundo inteiro que tá rolando iss... –Igor foi tomado por uma pausa
involuntária. Ambos se entreolharam estupefatos quando em um estrondo, um som
gutural saiu das entranhas da terra. Cris olhou para a formação de pedras e a
pequena colina do forte de Mont Serrat rachando e cedendo, avançando para o fundo
da terra. Quando se deparou, a ponta do Humaitá se erguia, como uma ladeira
gigantesca. A igreja ia se despedaçando, caindo verticalmente.


- Santo Deus! – Cris gritou assustado,
Igor continuava olhando aquilo descrente e imóvel. Nenhum dos dois percebia que
a plataforma continental estava se inclinando, e a areia, eles e tudo no local
se movia para o fundo do mar.


- Vamos embora!- Igor gritou em
sobressalto.

Passaram por dentro de uma quadra de futebol que dava no sopé da ladeira. Dois
times com coletes azuis e vermelhos estavam espalhados na quadra, gritando
sobre o roubo do juiz, ordens de fuga e a continuação do jogo. Enquanto os mais
espertos fugiam e os mais surpresos estavam parados com a boca aberta.


- Pra onde a gente vai?- Cris olhou o
amigo, ainda atormentado- Mas que merda é essa?

- Velho, temos que sair de perto do litoral!!

-Esse é o problema!! Salvador inteiro é litoral!!!- Cris gritou em desespero.

O chão atrás deles começou a ruir. Ao olhar para o céu, viram pássaros indo pra
direção contrária. Os jogadores corriam lado a lado a eles. Um mendigo
praguejava algo sobre o apocalipse. Perto de algo que parecia um grande abismo,
os dois tentavam se manter a salvo, enquanto pedras, casas árvores e carros iam
abaixo para o fundo do mar...


Continua


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

♞ ALFA - Cap. II - O INÍCIO DE UMA SOBREVIVÊNCIA

E finalmente saiu! O prometido segundo capítulo saiu! sem mais demora, com vocês : O INICÍO DE UMA SOBREVIVÊNCIA!!!




-Eu aprendo rápido? E você? Sabe? – pergunta começando a descer as escadas
-Apenas na teoria. –responde o outro com um sorriso apreensivo, olhava de um lado para o outro, enquanto armava as pistolas tentando se lembrar de alguns vídeos que tinha visto. Os dois tinham um péssimo pressentimento... Algo de muito ruim estava acontecendo e não sabia o que era, por enquanto...
Os dois dão, simultaneamente, um forte chute na porta, arrombando-a.







CAPÍTULO II
O INÍCIO DA SOBREVIVÊNCIA

O Céu ficava cada vez mais escuro, uma densa camada de nuvens impedia a passagem do mínimo raio de luz solar, os postes de luz começavam a acender embora os relógios marcassem 9:23 da manhã. Nas ruas da cidade o caos estava formado, as forças militares se espalhavam rapidamente, as ordens foram dadas muito em cima da hora, embora o plano existisse desde os anos 80. A Marinha havia sido a última acionada. A maior parte da Marinha Brasileira encontrasse dentro dos rios, por toda a bacia amazônica. As fronteiras oceânicas estavam extremamente enfraquecidas.

Quando entraram na sala, havia menos da metade dos alunos presentes. Daniel e Diego vieram ao encontro de Davi e Douglas, olharam-nos com assombro quando viram as armas em suas mãos.
-Que diabos...?
-Não temos tempo! Não faço idéia do que esteja acontecendo mas com certeza o que está havendo é muito sério! – falou Davi interrompendo Daniel enquanto Douglas trancava a porta.
-Ficaram apenas eles!- sussurrou Diego apontando para os colegas
-Cuidamos deles depois. – fala Douglas
Davi havia se aproximado da janela, estreitou os olhos e quando conseguiu enxergar o que queria arregalou-os com assombro.
-Mas que p...! O que é aquilo?
O Colégio onde estudavam ficava em frente de uma grande avenida, da sala onde estavam podiam ver uma das pontas. Quando os outros vieram ver o que era viram formas disformes avançando aos milhares pela rua. Subiam em carros, atacavam o que estivesse pela frente, alguns subiam nas casas e tentavam escalar as paredes dos prédios. Uma pequena guarnição de policiais militares tentavam conter, aos tiros, mas a desvantagem era gritante e em pouco tempo foram devorados pela onda negra que se aproximava.
-Meu Deus! Era o que falávamos agora a pouco!- Davi não acreditava no que estava acontecendo, estava com as mãos na cabeça enquanto se afastava da janela. Todos estavam atônitos.
O som de tiros se intensificou. A Vila Militar ficava ali perto, provavelmente estavam sendo atacados também.
-Parece que todos os Oficiais abandonaram o Colégio!- informou pesarosamente Daniel fechando e trancando as janelas.
Gritos de pavor, berros horrendos, tiros, e muita correria pelos corredores. A caixa de som dentro da sala continuava a berrar ordens deixando todos mais tensos.
-CALA A BOCA!-grita Davi disparando e estilhaçando a caixa, a tensão do tiro deu espaço ao silêncio.
Vários minutos se passaram... A sala foi se esvaziando mais ainda. Daniel empurrou a mesa do professor contra a porta a fim de mais ninguém entrar ou sair. Dos quatro colegas todos pareciam ter alguém para acalmar. Douglas estava abraçado a uma garota a quem conhecia a muito tempo, estava lhe falava algo com voz trêmula, Daniel parecia conversar com um pequeno grupo de três colegas que haviam ficado, Diego também era abraçado, o único que se mantinha afastado era Davi. Sentado em cima de uma carteira, em um canto isolado refletia e tentava entender o que acontecia, mantinha uma única expressão e seu olhar estava fixo no chão. Piscou os olhos rapidamente despertando de seu torpor. Pôs-se de pé, caminhou até a janela, abrindo-a olhou para fora vislumbrando a caótica cena. A horda de criaturas disformes estava a uns 200 metros do Colégio. Sentiu uma mão pousar em suas costas e logo entrou um rosto em sua visão. Era Mark, colega dos quatro havia muito tempo. Estava pálido mas ao contrário do que Davi pensava não trazia medo em seus olhos, apenas apreensão.
-Man, e agora? O quê que é isso?
-Eu realmente não sei o que está acontecendo. Mas sei que teremos que lutar por nossa sobrevivência.
Mark silenciou em resposta.
Douglas desvencilhou-se gentilmente dos braços de Clara e foi à janela, emparelhou com Davi do lado oposto de Mark.
-Alguma idéia, Black?
-Sim, Angel. –estavam se tratando pelos codinomes como sempre faziam quando bolavam alguma estratégia, seja em brigas como para derrubar algum professor, ou simplesmente para coordenar a turma em algum trabalho de classe grande, desses que são realizados fim de ano.
-Angellus.- corrigiu Douglas, nos últimos meses este afeiçoou-se com a língua latina. Sorriram mas não por muito tempo.
-Parece com nossas histórias...
-Sim, parece e vamos ter que agir assim como planejamos. – respondeu Davi
Douglas arregalou os olhos, espantando. Mas no fundo sabia que seriam assim.
-É irmão... tempos difíceis virão.-falou Davi- Sempre quis falar isso. –falou dando risada sendo seguida por Douglas e Mark.
Alguém desatou a chorar escandalosamente, os três se viraram. Taís... estavam em prantos, mas havia mais histeria do quê outra coisa naquele choro. Daniel tentava consola-la. Davi lançou-lhe um olhar de puro desprezo destilado. Douglas tocou-lhe o ombro lhe lançou um risinho sarcástico.
-Vai com calma.-advertiu-lhe
-DANIEL!- chamou Davi. O outro atravessou a sala a passadas largas enquanto Douglas chamava Diego tentando desgruda-lo das meninas.
-Agora que estamos os cinco reunidos...-começou a falar Davi, explicando suas deduções e sugestões para o plano de fuga, no final ensinou a cada um como montar e desmontar as pistolas- ...Ainda teremos chance de treinar tiro, mas não aqui e não com essas balas, podem ser preciosas.
-Não sabemos a gravidade da situação ainda. – explicou Douglas.
Todos juntaram suas coisas. Combinaram de verificar a situação, aguardar o máximo que puderem no colégio e depois tentar sair. Dividiram-se em duplas. Daniel e Davi, Douglas e Diego. Prepararam-se para sair da sala.
-Onde vocês vão?!-Fernanda, melhor amiga de Thaís, não deixou de escapar um tom de desespero na voz
-Fiquem aqui... se quiserem. Voltaremos dentro de algumas horas.-respondeu Daniel
Desceram as escadas que iam para o segundo andar. Separaram-se, um para cada ponta do colégio.
-Como você aprendeu a manusear armas?- perguntou Daniel, já sabia a resposta, mas o silêncio de ambos era incômodo.
-Internet. - respondeu Davi subindo no corrimão e deslizando muito mais rápido. Daniel saltou vários degraus para poder alcançá-lo. O colégio estava aparentemente vazio, mas ambos sabiam que os funcionários provavelmente estavam escondidos.
Desceram rapidamente os três andares. Chegaram ao pátio interno, atravessaram os jardins, mas quando chegaram à portaria esta estava em tumulto, vários alunos tentando sair, funcionários impediam. Haviam trancado os portões internos. Mas Davi era experiente no Colégio, fazia amizade com facilidade com os funcionários dos escalões de base, tinha conhecimento de corredores que levavam com facilidade ao lado externo. Daniel já tinha conhecimento de alguns e seguiram para a cozinha, em dois minutos estavam no pátio externo. A maioria dos carros não estava mais lá. Uns dez funcionários fechavam as grandes grades que separavam o pátio externo da rua. Escoravam as grades com o que achavam na área. Davi correu para a rua. Por um minuto sua respiração falhou, o ar ficou preso em um nó na sua garganta, o estômago embrulhou, foi como se o chão ruísse. À sua frente uma horda de seres deformados avançava como uma grande onda prestes a engoli-lo. O rapaz congelou como nunca havia congelado. Uma massa de garras, presas, e carne podre. Voltou a si com um grito que penetrou seus ouvidos, trazendo-o de volta. Disparos eram realizados. Daniel estava do lado de fora do portão atirando contra o exército sombrio que avançava. Davi não se dera conta o quanto havia avançado na pista, estava exatamente na divisão das faixas. Puxou sua pistola da parte lateral da mochila, destravou-a e disparou. Corpos caíram com um baque seco no chão, mas para cada corpo que caía, havia mais cinco para pisoteá-lo.
-VEM, VEM, VEM! ENTRA! ENTRA NO PÁTIO!
Correndo e atirando para sua lateral, Davi, parou no portão e realizou mais alguns disparos, abatendo mais criaturas. Atirou-se para o pátio, caindo no chão, os funcionários acionaram a porta menor, cerrando o Colégio para a rua. A grade metálica envergou e rangeu com a pressão de milhares de seres que tentavam passar por entre as frestas. Davi ofegava e transpirava. Estava no chão ainda olhando o que antes foi uma avenida vazia. Os funcionários haviam arrancado as lanças onde eram hasteadas as bandeiras e tentavam derrubar as criaturas que subiam pela grade.
Mas era quase impossível defender tudo, eram mais de 100 metros de muro em linha reta que fazia fronteira direta com a avenida, três portões de grade para serem defendidos. Davi levantou-se e olhou por cima do ombro de Daniel, três criaturas haviam caído para dentro do pátio. Se arrastavam e lentamente ficaram de pé. Demorou alguns segundos mas logo começaram um corrida desajeitada para onde os rapazes estavam. Daniel não precisou de palavras para entender. Se virou e ergueu o revólver que portava. Disparou três vezes antes da arma dar um estalido indicando a ausência de cápsulas no tambor. Estavam a uns 40 metros, distância suficiente para os três disparos terem sido efetuados sem sucesso.
-COMO ABRE ISSO?!-gritou Daniel tentando abrir o tambor do pequeno calibre 38.
-Faz assim!-falou Davi arrancando a arma das mãos de Daniel- Mas como?! Como você conseguiu essa arma? – antes de obter resposta o rapaz sacode a cabeça negativamente- Esquece!- entrega a pistola para Daniel- Mire no peito e um pouco para a esquerda se você é destro! – ajoelhou-se, destravou e sacou o tambor, pondo as munições em cada câmara. Daniel havia abatido dois dos seres estranhos. Mas já havia duas dúzias destes no pátio sendo combatidos pelos funcionários. Faxineiros, motoristas, porteiros... todos se transformaram em guerreiros quando os mais altos oficiais do local haviam se acovardado. Davi ergueu o revolver, mirou, sentiu o dedo sob o gatilho... a criatura tombou frações de segundo depois de um tiro poderoso. O revolver que o rapaz portava ainda continha todas as balas, olhou para os muros internos do colégio. Diego ainda estava em posição de tiro com um rifle que logo reconheceu como um Winchester de ação por ferrolho. Daniel entregou a pistola vazia para Davi e pegou o revolver enquanto seu colega carregava um cartucho carregado. Sacou de dentro da mochila um coldre e o prendeu na cintura e na perna, guardou sua pistola e correu em direção aos muros internos. Daniel disparava, mas a maior parte de seus tiros ficavam cravados nos muros ou no chão. Os três colegas se esconderam atrás dos arbustos do pequeno jardim exterior.
-Onde você conseguiu isso? – perguntou Davi com espanto olhando o rifle nas mãos de Diego
-Parece que eles acharam a sala de armas. – foi Daniel quem respondeu
Diego estava familiarizado com algumas armas de cano longo, vez ou outra seu pai o levava para caçar em sua fazenda no interior do Estado.
Algum tempo depois estavam subindo as escadas novamente, mas pararam no segundo andar, tomaram um caminho diferente sendo guiados por Diego. Lá encontraram Douglas enchendo as sacolas da equipe esportiva do colégio com armas e munições.
Davi abriu um largo sorriso. Sempre quis entrar naquela sala, mas não era permitido a nenhum aluno entrar naquela ala.
-Peguemos tudo! Na sala escolheremos o que será melhor para levar!
Subiram o último lance de escadas muito lentamente, cada um carregava no mínimo uns dez quilos.
O terceiro andar jazia deserto... Bateram à porta. Bateram novamente... Forçaram a porta. Socaram a porta com força. E nada. Daniel pegou uma escopeta calibre 12 de sua sacola.
-Como se carrega isso aqui?-falou com um sorriso sádico nos lábios
-Depois... - falou Davi- ABRAM A MALDITA PORTA SE HOUVER ALGUÉM AÍ. ABRAM SE NÃO QUEREM QUE UM TIRO ATRAVESSE ESSA PORTA!- esperaram - ALGUÉM PODE SER ATINGIDO! – a voz habitual do rapaz geralmente era calma e tinha um forte sotaque de quem não era do país, embora fosse... em parte. Mas quando ordenava algo era diferente, com o passar dos anos aprendeu a pôr medo em quem ordenava.
Ouviram movimentos atrás da porta e quem abriu foi Mark.
-Tivemos problemas e divergências, desculpe... - sua frase não foi terminada, os quatro colegas entraram bruscamente na sala.
-Que tipo de brincadeira da p... foi essa? – bradou Daniel
- Vocês querem que todos morram? É isso? – perguntou Douglas
Davi atravessou a sala para o canto isolado de sempre. Diego foi para outro canto. Mark trancou mais uma vez a porta com a barricada improvisada de carteiras.
Davi despejou as armas no solo, todos olharam assombrados... todos menos seus colegas que fizeram o mesmo.
-Ok, vamos separar as munições e os tipos de armas,
Acabaram por ficar com mais tipos de munição que armas. Cinco revólveres, seis pistolas, quatro rifles, duas escopetas calibre 12 pump action, uma espingarda duplo cano calibre 16 e os outros equipamentos que incluíam coletes, óculos, máscaras de lã, luvas e armas brancas pequenas.
-Bom, temos dezoito armas de fogo, alguns bons equipamentos, porém nos falta munição para uma defesa aceitável. – anunciou Davi
-Só não temos algo importante se formos ficar aqui por um tempo... –falou Douglas chamando os olhares de todos
Daniel bateu a mão em sua testa como se lembrasse de algo importante.
-Comida! – falaram os dois juntos.
-Putz! Que merda!- exclamou Davi – Água também!
-Que gênios! – falou ironicamente Diego
-Ok! Chega! Temos tempo!- interveio Davi – Alguém está com fome? – perguntou para a turma, ou para o que restou dela.
Ninguém se pronunciou.
-Posso falar com vocês na outra sala?- perguntou Davi. Os outros, menos Diego concordaram.
-Vou ficar um pouco aqui, tenho que conversar com as meninas.
Daniel, Douglas, Mark e Davi saíram para a sala ao lado.
-Então, como a gente combinou, vamos saber o que temos que enfrentar e amanhã pela manhã sairemos. Correto?
-Foi o que combinamos. – falou Daniel
-Ok. Quando partirmos, já sabemos o que levamos. Qual o nosso roteiro? – silêncio – humm... Sugiro que passemos em nossas casas... pelo menos nas mais próximas. Não temos muita munição...
-Como assim? – interrompeu Douglas – Como não temos muita munição? Eu vi bastante!
-Você não viu o que vimos lá em baixo! Gastamos muita munição se comparado com o que temos. Se continuar assim, gastaremos tudo em dois dias!
-Dois dias!?- falou Mark
-Vocês acham que vamos sair daqui sem disparar nenhum tiro? Não sei com o que estamos lidando mas parece que estamos lidando com... com...
-Zumbis.- Completou Daniel
-Mas havia algo mais! Eu vi! Só não sei explicar. Era mais que aqueles zumbis lerdões dos filmes! – falou Davi – Continuando... Primeiro, minha casa é a que fica mais próxima, depois a de Mark. Acho que não vai ser viável ir na casa de Diego e na sua, Douglas. É muito arriscado atravessar a cidade sem saber o que há lá fora. E agora um assunto mais delicado e que uma hora ou outra teremos que falar! – suspirou e falou com um certo pesar na voz – Quem iremos levar conosco?
E o silêncio pairou na sala, pesado e sufocante. O coração de Daniel estava pesado, pois sabia que seus amigos que ficaram na outra sala não seriam aceitos no grupo. Thaís tinha conquistado a antipatia de todos até mesmo do próprio Daniel, mas este ainda sentia por Fernanda e Mateus, seus colegas próximos mas que não tinham afinidade nenhuma com Davi, Douglas, Diego muito menos com Mark a quem subjugaram a vida toda. Daniel queria poder fazer algo mas preferiu o silêncio.
Douglas se lembrou com um temor de Clarissa, sua amiga e companheira. Sempre prezou pela imagem de antisentimentalista mas agora era pra valer. Pensou também onde estaria seu amigo Hanta, moravam perto um do outro, mas estudavam em séries diferentes. Por fim ficou em silêncio pensando no próximo passo.
Mark não sentia por ninguém. Não estava preocupado com ninguém em especial, apenas queria de alguma forma fazer algo importante. Com ou sem o grupo.
Davi abaixou a cabeça, olhou para a mesa. Ele sabia que, na maioria das vezes, era ele quem coordenava os trabalhos e projetos, mas que aquilo não era nenhum trabalho escolar, sabia que ali estariam todos lutando por sua vida. No grupo não havia um líder mas sim, quatro líderes e, para que a idéia de um fosse aceita todos deveriam concordar. Sabia que o fardo que iriam carregar era grande. Seu coração pesava por muitas pessoas, algumas em especial mas nunca deixaria isso transparecer.
-Diego, Douglas, Mark, Daniel, Thiago, Alan, Catarina, Jackeline, Ana e Davi. Essa é minha indicação. – falou calmamente Davi, deixando uma folha de papel com os nomes anotados em cima da mesa em que estavam sentados - No mínimo teremos uma arma para cada um, sem contar com as que já possuíamos. Por favor, façam o que acham que é certo – dizendo isso se retirou.
Suas escolhas foram um por motivos óbvios. As pessoas que estavam mais próximas: Mark, Douglas e Daniel, Diego por ser do grupo e ser muito inteligente. Alan por que era atleta, tinha um bom físico além de ser criativo, teria que levar Janaína não por vontade própria, mas por que Alan não iria sem sua namorada. Escolheu Thiago e Catarina por serem nerds que lhe seriam úteis além de que Davi e Thiago eram amigos faz muitos anos. E Ana por que tinha conhecimentos que quase ninguém “normal” teria, embora não tivessem quase proximidade.
Entrou na sala sentiu os olhares sobre si, sentou-se ao seu canto. Diego estava, pra variar, com as meninas que não desgrudavam dele. Seus ombros estranhamente estavam pesados. Havia escolhido as pessoas como sempre as escolhia... como ferramentas.










Espero que tenham gostado, e na próxima semana : Capítulo III - A PRIMEIRA NOITE 

domingo, 3 de abril de 2011

♞ CAGLIOSTRO ♞

Olá caros leitores(as). Peço-lhes desculpas pelos mais de 2 meses de inatividade, mais imprevistos sempre acontecem e só aumentam a expectativa para o próximo capítulo. ALFA já avançou desde a última postagem mas eu não o considero pronto, ainda, para publicá-lo. Bom, assim para saciar-vos, deixo aqui o início de um outro conto chamado CAGLIOSTRO que comecei a escrever em uma comunidade de contos e trago para este blog agora. Espero que gostem, boa leitura e qualquer/toda sugestão é bem vinda.

Para os que curtem essa parafernália eletrônica meu twitter é @daviarteac . Ainda estou começando a usar (risos). Chega de papo, vamos ao conto!


Cagliostro
24 set 

O som da chuva nos telhados de cerâmica das antigas casas compunham uma 

sinfonia harmônica sendo acompanhada pelo som que o choque das gotas produziam ao se chocar contra a rua calçada de pedra.


O melódico e exótico som era vez ou outra marcada pelo ensurdecedor som dos trovões, a fúria da natureza parecia cair sobre aquela pequena viela espanhola. O compasso da música era dado pelo som cadenciado do duro solado das minha botas batendo contra os paralelepípedos que outrora, no passado, haviam presenciado tempos de glória e prosperidade, mas que ultimamente recebiam apenas a chuva e o lixo.



Essa noite as paredes presenciariam uma cena que não testemunhavam há séculos.


Não havia ninguém nas ruelas, a lama chapiscava na barra de minha capa. A cada passo eu estava consiente de todo e qualquer barulho, por mínimo ruído que seja, a origem de cada tilintar metálico proveniente de meus bolsos, cintos e coldres.


Os lampiões jaziam apagados, balançando e rangindo a cada rajada furiosa de vento. O céu clareava como uma tenebrosa pintura surrealista a cada lampejo, seguido de um estrondo... estaria o martelo de Thor forjando alguma arma nos céus?



Todas as luzes apagadas dentro das casas, nem ao menos os bares e prostíbulos estavam abertos. A rua estava morta. Apenas duas criaturas moviam-se na cidade: a caça... e o caçador...A maioria acha que alguém na minha posição deveria estar nervoso, tenso, com medo, esses sentimentos fúteis dos humanos... Mas não... Já sou experiente... Meu campo de visão resumia-se apenas à borda do capuz de minha capa, a grossa cortina de água não me deixava ver mais que dez metro e meio, mas meus olhos ENXERGAVAM muito mais. Meus tímpanos vibravam como um sonar.



Pode parecer sobre humano mas ainda não viste a amaldiçoada alma que perambula do outro lado da cidadela. Ela já havia detectado-me e com seus poderoso membros de locomoção, vinha ao meu encontro. Apenas um sairía inteiro daquele lugar...


A criatura não era nada discreta ao se aproximar, eu podia sentir as vibrações de seu galope no chão molhado, suas unhas riscando a pedra secular eram um zumbido em meu ouvido, estaria à minha frente em pouco minutos. Continuei andando, observava o rastro de destruição nas paredes casas, telhado. Mas um trovão ensurdecedor. Os habitantes estavam encolhidos em seus cubículos que com orgulho chamam de casa. Nenhum tinha a coragem ou a loucura de encarar seus medos personificados ali fora na forma daquela besta.

As poças d'água tremiam e faziam ondulações com a vibração da corrida desenfreada da besta. Respirei fundo, fechei os olhos e com uma mão retirei o capuz, senti a chuva molhar meus cabelos e as gotas escorrerem pelo meu rosto, virei a face para os céus, com os olhos fechados, murmurrei uma súplica e olhei para frente, estava pronto! agora não havia espaço para a dúvida e hesitação, muito menos para o medo...


Bom meus caros, espero que tenham gostado, este conto continua dependendo dos comentários...