sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sobreviventes


O grande cisma


Os dois andavam pela praia. Chovia
havia dias, mas a semana puxada, batida e acima de tudo estressante, os
empurrava para a praia, fazendo chuva ou sol. Igor se animava sempre, colocando
cor na face, quase sempre pálida durante a semana. Cris caminhava absorto em
idéias que desapareciam tão rápido quanto surgiam. Como nevoas. Refletia
bastante quando ia a praia, com os pés sobre a areia, as ondas quebrando e o
vento lambendo seu rosto. O olhar sempre distante...

- Cris! Vamos, filho!- Igor gritou, animando o amigo- Corre! Vê se consegue
alguma coisa, atleta!

Cris quase nunca corria ou praticava qualquer coisa. Quando criança, nunca
aprendera a andar de bicicleta ou coisas do tipo. Diferente de muitas crianças,
ficava muito mais tempo a criar, desenhar e inventar histórias. Cresceu assim:
Mais pra dentro do que pra fora.

- Nããão, obrigado! Velocidade me enjoa! – Riu com a brincadeira irônica. O
colega já regressava da sétima volta com um ar pesado, mas de pura realização.

- Não era você o atleta? O nadador? O corredor da Ribeira?- Ironizou rebatendo
a acidez herdada do sangue argentino do pai, mas, ainda amigável.

-Hmm... Isso faz tempo. – E fazia mesmo. Quando estava no auge da adolescência
e a natação era um remédio para a renite e as tardes ensolaradas e abafadas de
salvador.

- Escuta, Igor... – O amigo parou de correr, mas mantinha o pique com o
movimento das pernas, como se corresse parado. - Não acha que o tempo está
estranho demais? –O rapaz magro e amarelo o olhou com a expressão séria, como
fazia quando interiorizava um pensamento.

- Na verdade, mais estranho que nunca.

As nuvens negras e pesadas como zepelins de ferro pairavam, a semanas.
Acidentes aéreos estavam se tornando constantes, cortes na energia e na
comunicação aconteceram três vezes no mês. As pessoas irritadiças e
agressivas... Era como se a lei de Murphy caísse sobre o mundo todo,
multiplicada infinitamente por uma energia densa.


- Parece que, pelo que vi na tv, é no
mundo inteiro que tá rolando iss... –Igor foi tomado por uma pausa
involuntária. Ambos se entreolharam estupefatos quando em um estrondo, um som
gutural saiu das entranhas da terra. Cris olhou para a formação de pedras e a
pequena colina do forte de Mont Serrat rachando e cedendo, avançando para o fundo
da terra. Quando se deparou, a ponta do Humaitá se erguia, como uma ladeira
gigantesca. A igreja ia se despedaçando, caindo verticalmente.


- Santo Deus! – Cris gritou assustado,
Igor continuava olhando aquilo descrente e imóvel. Nenhum dos dois percebia que
a plataforma continental estava se inclinando, e a areia, eles e tudo no local
se movia para o fundo do mar.


- Vamos embora!- Igor gritou em
sobressalto.

Passaram por dentro de uma quadra de futebol que dava no sopé da ladeira. Dois
times com coletes azuis e vermelhos estavam espalhados na quadra, gritando
sobre o roubo do juiz, ordens de fuga e a continuação do jogo. Enquanto os mais
espertos fugiam e os mais surpresos estavam parados com a boca aberta.


- Pra onde a gente vai?- Cris olhou o
amigo, ainda atormentado- Mas que merda é essa?

- Velho, temos que sair de perto do litoral!!

-Esse é o problema!! Salvador inteiro é litoral!!!- Cris gritou em desespero.

O chão atrás deles começou a ruir. Ao olhar para o céu, viram pássaros indo pra
direção contrária. Os jogadores corriam lado a lado a eles. Um mendigo
praguejava algo sobre o apocalipse. Perto de algo que parecia um grande abismo,
os dois tentavam se manter a salvo, enquanto pedras, casas árvores e carros iam
abaixo para o fundo do mar...


Continua


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

♞ ALFA - Cap. II - O INÍCIO DE UMA SOBREVIVÊNCIA

E finalmente saiu! O prometido segundo capítulo saiu! sem mais demora, com vocês : O INICÍO DE UMA SOBREVIVÊNCIA!!!




-Eu aprendo rápido? E você? Sabe? – pergunta começando a descer as escadas
-Apenas na teoria. –responde o outro com um sorriso apreensivo, olhava de um lado para o outro, enquanto armava as pistolas tentando se lembrar de alguns vídeos que tinha visto. Os dois tinham um péssimo pressentimento... Algo de muito ruim estava acontecendo e não sabia o que era, por enquanto...
Os dois dão, simultaneamente, um forte chute na porta, arrombando-a.







CAPÍTULO II
O INÍCIO DA SOBREVIVÊNCIA

O Céu ficava cada vez mais escuro, uma densa camada de nuvens impedia a passagem do mínimo raio de luz solar, os postes de luz começavam a acender embora os relógios marcassem 9:23 da manhã. Nas ruas da cidade o caos estava formado, as forças militares se espalhavam rapidamente, as ordens foram dadas muito em cima da hora, embora o plano existisse desde os anos 80. A Marinha havia sido a última acionada. A maior parte da Marinha Brasileira encontrasse dentro dos rios, por toda a bacia amazônica. As fronteiras oceânicas estavam extremamente enfraquecidas.

Quando entraram na sala, havia menos da metade dos alunos presentes. Daniel e Diego vieram ao encontro de Davi e Douglas, olharam-nos com assombro quando viram as armas em suas mãos.
-Que diabos...?
-Não temos tempo! Não faço idéia do que esteja acontecendo mas com certeza o que está havendo é muito sério! – falou Davi interrompendo Daniel enquanto Douglas trancava a porta.
-Ficaram apenas eles!- sussurrou Diego apontando para os colegas
-Cuidamos deles depois. – fala Douglas
Davi havia se aproximado da janela, estreitou os olhos e quando conseguiu enxergar o que queria arregalou-os com assombro.
-Mas que p...! O que é aquilo?
O Colégio onde estudavam ficava em frente de uma grande avenida, da sala onde estavam podiam ver uma das pontas. Quando os outros vieram ver o que era viram formas disformes avançando aos milhares pela rua. Subiam em carros, atacavam o que estivesse pela frente, alguns subiam nas casas e tentavam escalar as paredes dos prédios. Uma pequena guarnição de policiais militares tentavam conter, aos tiros, mas a desvantagem era gritante e em pouco tempo foram devorados pela onda negra que se aproximava.
-Meu Deus! Era o que falávamos agora a pouco!- Davi não acreditava no que estava acontecendo, estava com as mãos na cabeça enquanto se afastava da janela. Todos estavam atônitos.
O som de tiros se intensificou. A Vila Militar ficava ali perto, provavelmente estavam sendo atacados também.
-Parece que todos os Oficiais abandonaram o Colégio!- informou pesarosamente Daniel fechando e trancando as janelas.
Gritos de pavor, berros horrendos, tiros, e muita correria pelos corredores. A caixa de som dentro da sala continuava a berrar ordens deixando todos mais tensos.
-CALA A BOCA!-grita Davi disparando e estilhaçando a caixa, a tensão do tiro deu espaço ao silêncio.
Vários minutos se passaram... A sala foi se esvaziando mais ainda. Daniel empurrou a mesa do professor contra a porta a fim de mais ninguém entrar ou sair. Dos quatro colegas todos pareciam ter alguém para acalmar. Douglas estava abraçado a uma garota a quem conhecia a muito tempo, estava lhe falava algo com voz trêmula, Daniel parecia conversar com um pequeno grupo de três colegas que haviam ficado, Diego também era abraçado, o único que se mantinha afastado era Davi. Sentado em cima de uma carteira, em um canto isolado refletia e tentava entender o que acontecia, mantinha uma única expressão e seu olhar estava fixo no chão. Piscou os olhos rapidamente despertando de seu torpor. Pôs-se de pé, caminhou até a janela, abrindo-a olhou para fora vislumbrando a caótica cena. A horda de criaturas disformes estava a uns 200 metros do Colégio. Sentiu uma mão pousar em suas costas e logo entrou um rosto em sua visão. Era Mark, colega dos quatro havia muito tempo. Estava pálido mas ao contrário do que Davi pensava não trazia medo em seus olhos, apenas apreensão.
-Man, e agora? O quê que é isso?
-Eu realmente não sei o que está acontecendo. Mas sei que teremos que lutar por nossa sobrevivência.
Mark silenciou em resposta.
Douglas desvencilhou-se gentilmente dos braços de Clara e foi à janela, emparelhou com Davi do lado oposto de Mark.
-Alguma idéia, Black?
-Sim, Angel. –estavam se tratando pelos codinomes como sempre faziam quando bolavam alguma estratégia, seja em brigas como para derrubar algum professor, ou simplesmente para coordenar a turma em algum trabalho de classe grande, desses que são realizados fim de ano.
-Angellus.- corrigiu Douglas, nos últimos meses este afeiçoou-se com a língua latina. Sorriram mas não por muito tempo.
-Parece com nossas histórias...
-Sim, parece e vamos ter que agir assim como planejamos. – respondeu Davi
Douglas arregalou os olhos, espantando. Mas no fundo sabia que seriam assim.
-É irmão... tempos difíceis virão.-falou Davi- Sempre quis falar isso. –falou dando risada sendo seguida por Douglas e Mark.
Alguém desatou a chorar escandalosamente, os três se viraram. Taís... estavam em prantos, mas havia mais histeria do quê outra coisa naquele choro. Daniel tentava consola-la. Davi lançou-lhe um olhar de puro desprezo destilado. Douglas tocou-lhe o ombro lhe lançou um risinho sarcástico.
-Vai com calma.-advertiu-lhe
-DANIEL!- chamou Davi. O outro atravessou a sala a passadas largas enquanto Douglas chamava Diego tentando desgruda-lo das meninas.
-Agora que estamos os cinco reunidos...-começou a falar Davi, explicando suas deduções e sugestões para o plano de fuga, no final ensinou a cada um como montar e desmontar as pistolas- ...Ainda teremos chance de treinar tiro, mas não aqui e não com essas balas, podem ser preciosas.
-Não sabemos a gravidade da situação ainda. – explicou Douglas.
Todos juntaram suas coisas. Combinaram de verificar a situação, aguardar o máximo que puderem no colégio e depois tentar sair. Dividiram-se em duplas. Daniel e Davi, Douglas e Diego. Prepararam-se para sair da sala.
-Onde vocês vão?!-Fernanda, melhor amiga de Thaís, não deixou de escapar um tom de desespero na voz
-Fiquem aqui... se quiserem. Voltaremos dentro de algumas horas.-respondeu Daniel
Desceram as escadas que iam para o segundo andar. Separaram-se, um para cada ponta do colégio.
-Como você aprendeu a manusear armas?- perguntou Daniel, já sabia a resposta, mas o silêncio de ambos era incômodo.
-Internet. - respondeu Davi subindo no corrimão e deslizando muito mais rápido. Daniel saltou vários degraus para poder alcançá-lo. O colégio estava aparentemente vazio, mas ambos sabiam que os funcionários provavelmente estavam escondidos.
Desceram rapidamente os três andares. Chegaram ao pátio interno, atravessaram os jardins, mas quando chegaram à portaria esta estava em tumulto, vários alunos tentando sair, funcionários impediam. Haviam trancado os portões internos. Mas Davi era experiente no Colégio, fazia amizade com facilidade com os funcionários dos escalões de base, tinha conhecimento de corredores que levavam com facilidade ao lado externo. Daniel já tinha conhecimento de alguns e seguiram para a cozinha, em dois minutos estavam no pátio externo. A maioria dos carros não estava mais lá. Uns dez funcionários fechavam as grandes grades que separavam o pátio externo da rua. Escoravam as grades com o que achavam na área. Davi correu para a rua. Por um minuto sua respiração falhou, o ar ficou preso em um nó na sua garganta, o estômago embrulhou, foi como se o chão ruísse. À sua frente uma horda de seres deformados avançava como uma grande onda prestes a engoli-lo. O rapaz congelou como nunca havia congelado. Uma massa de garras, presas, e carne podre. Voltou a si com um grito que penetrou seus ouvidos, trazendo-o de volta. Disparos eram realizados. Daniel estava do lado de fora do portão atirando contra o exército sombrio que avançava. Davi não se dera conta o quanto havia avançado na pista, estava exatamente na divisão das faixas. Puxou sua pistola da parte lateral da mochila, destravou-a e disparou. Corpos caíram com um baque seco no chão, mas para cada corpo que caía, havia mais cinco para pisoteá-lo.
-VEM, VEM, VEM! ENTRA! ENTRA NO PÁTIO!
Correndo e atirando para sua lateral, Davi, parou no portão e realizou mais alguns disparos, abatendo mais criaturas. Atirou-se para o pátio, caindo no chão, os funcionários acionaram a porta menor, cerrando o Colégio para a rua. A grade metálica envergou e rangeu com a pressão de milhares de seres que tentavam passar por entre as frestas. Davi ofegava e transpirava. Estava no chão ainda olhando o que antes foi uma avenida vazia. Os funcionários haviam arrancado as lanças onde eram hasteadas as bandeiras e tentavam derrubar as criaturas que subiam pela grade.
Mas era quase impossível defender tudo, eram mais de 100 metros de muro em linha reta que fazia fronteira direta com a avenida, três portões de grade para serem defendidos. Davi levantou-se e olhou por cima do ombro de Daniel, três criaturas haviam caído para dentro do pátio. Se arrastavam e lentamente ficaram de pé. Demorou alguns segundos mas logo começaram um corrida desajeitada para onde os rapazes estavam. Daniel não precisou de palavras para entender. Se virou e ergueu o revólver que portava. Disparou três vezes antes da arma dar um estalido indicando a ausência de cápsulas no tambor. Estavam a uns 40 metros, distância suficiente para os três disparos terem sido efetuados sem sucesso.
-COMO ABRE ISSO?!-gritou Daniel tentando abrir o tambor do pequeno calibre 38.
-Faz assim!-falou Davi arrancando a arma das mãos de Daniel- Mas como?! Como você conseguiu essa arma? – antes de obter resposta o rapaz sacode a cabeça negativamente- Esquece!- entrega a pistola para Daniel- Mire no peito e um pouco para a esquerda se você é destro! – ajoelhou-se, destravou e sacou o tambor, pondo as munições em cada câmara. Daniel havia abatido dois dos seres estranhos. Mas já havia duas dúzias destes no pátio sendo combatidos pelos funcionários. Faxineiros, motoristas, porteiros... todos se transformaram em guerreiros quando os mais altos oficiais do local haviam se acovardado. Davi ergueu o revolver, mirou, sentiu o dedo sob o gatilho... a criatura tombou frações de segundo depois de um tiro poderoso. O revolver que o rapaz portava ainda continha todas as balas, olhou para os muros internos do colégio. Diego ainda estava em posição de tiro com um rifle que logo reconheceu como um Winchester de ação por ferrolho. Daniel entregou a pistola vazia para Davi e pegou o revolver enquanto seu colega carregava um cartucho carregado. Sacou de dentro da mochila um coldre e o prendeu na cintura e na perna, guardou sua pistola e correu em direção aos muros internos. Daniel disparava, mas a maior parte de seus tiros ficavam cravados nos muros ou no chão. Os três colegas se esconderam atrás dos arbustos do pequeno jardim exterior.
-Onde você conseguiu isso? – perguntou Davi com espanto olhando o rifle nas mãos de Diego
-Parece que eles acharam a sala de armas. – foi Daniel quem respondeu
Diego estava familiarizado com algumas armas de cano longo, vez ou outra seu pai o levava para caçar em sua fazenda no interior do Estado.
Algum tempo depois estavam subindo as escadas novamente, mas pararam no segundo andar, tomaram um caminho diferente sendo guiados por Diego. Lá encontraram Douglas enchendo as sacolas da equipe esportiva do colégio com armas e munições.
Davi abriu um largo sorriso. Sempre quis entrar naquela sala, mas não era permitido a nenhum aluno entrar naquela ala.
-Peguemos tudo! Na sala escolheremos o que será melhor para levar!
Subiram o último lance de escadas muito lentamente, cada um carregava no mínimo uns dez quilos.
O terceiro andar jazia deserto... Bateram à porta. Bateram novamente... Forçaram a porta. Socaram a porta com força. E nada. Daniel pegou uma escopeta calibre 12 de sua sacola.
-Como se carrega isso aqui?-falou com um sorriso sádico nos lábios
-Depois... - falou Davi- ABRAM A MALDITA PORTA SE HOUVER ALGUÉM AÍ. ABRAM SE NÃO QUEREM QUE UM TIRO ATRAVESSE ESSA PORTA!- esperaram - ALGUÉM PODE SER ATINGIDO! – a voz habitual do rapaz geralmente era calma e tinha um forte sotaque de quem não era do país, embora fosse... em parte. Mas quando ordenava algo era diferente, com o passar dos anos aprendeu a pôr medo em quem ordenava.
Ouviram movimentos atrás da porta e quem abriu foi Mark.
-Tivemos problemas e divergências, desculpe... - sua frase não foi terminada, os quatro colegas entraram bruscamente na sala.
-Que tipo de brincadeira da p... foi essa? – bradou Daniel
- Vocês querem que todos morram? É isso? – perguntou Douglas
Davi atravessou a sala para o canto isolado de sempre. Diego foi para outro canto. Mark trancou mais uma vez a porta com a barricada improvisada de carteiras.
Davi despejou as armas no solo, todos olharam assombrados... todos menos seus colegas que fizeram o mesmo.
-Ok, vamos separar as munições e os tipos de armas,
Acabaram por ficar com mais tipos de munição que armas. Cinco revólveres, seis pistolas, quatro rifles, duas escopetas calibre 12 pump action, uma espingarda duplo cano calibre 16 e os outros equipamentos que incluíam coletes, óculos, máscaras de lã, luvas e armas brancas pequenas.
-Bom, temos dezoito armas de fogo, alguns bons equipamentos, porém nos falta munição para uma defesa aceitável. – anunciou Davi
-Só não temos algo importante se formos ficar aqui por um tempo... –falou Douglas chamando os olhares de todos
Daniel bateu a mão em sua testa como se lembrasse de algo importante.
-Comida! – falaram os dois juntos.
-Putz! Que merda!- exclamou Davi – Água também!
-Que gênios! – falou ironicamente Diego
-Ok! Chega! Temos tempo!- interveio Davi – Alguém está com fome? – perguntou para a turma, ou para o que restou dela.
Ninguém se pronunciou.
-Posso falar com vocês na outra sala?- perguntou Davi. Os outros, menos Diego concordaram.
-Vou ficar um pouco aqui, tenho que conversar com as meninas.
Daniel, Douglas, Mark e Davi saíram para a sala ao lado.
-Então, como a gente combinou, vamos saber o que temos que enfrentar e amanhã pela manhã sairemos. Correto?
-Foi o que combinamos. – falou Daniel
-Ok. Quando partirmos, já sabemos o que levamos. Qual o nosso roteiro? – silêncio – humm... Sugiro que passemos em nossas casas... pelo menos nas mais próximas. Não temos muita munição...
-Como assim? – interrompeu Douglas – Como não temos muita munição? Eu vi bastante!
-Você não viu o que vimos lá em baixo! Gastamos muita munição se comparado com o que temos. Se continuar assim, gastaremos tudo em dois dias!
-Dois dias!?- falou Mark
-Vocês acham que vamos sair daqui sem disparar nenhum tiro? Não sei com o que estamos lidando mas parece que estamos lidando com... com...
-Zumbis.- Completou Daniel
-Mas havia algo mais! Eu vi! Só não sei explicar. Era mais que aqueles zumbis lerdões dos filmes! – falou Davi – Continuando... Primeiro, minha casa é a que fica mais próxima, depois a de Mark. Acho que não vai ser viável ir na casa de Diego e na sua, Douglas. É muito arriscado atravessar a cidade sem saber o que há lá fora. E agora um assunto mais delicado e que uma hora ou outra teremos que falar! – suspirou e falou com um certo pesar na voz – Quem iremos levar conosco?
E o silêncio pairou na sala, pesado e sufocante. O coração de Daniel estava pesado, pois sabia que seus amigos que ficaram na outra sala não seriam aceitos no grupo. Thaís tinha conquistado a antipatia de todos até mesmo do próprio Daniel, mas este ainda sentia por Fernanda e Mateus, seus colegas próximos mas que não tinham afinidade nenhuma com Davi, Douglas, Diego muito menos com Mark a quem subjugaram a vida toda. Daniel queria poder fazer algo mas preferiu o silêncio.
Douglas se lembrou com um temor de Clarissa, sua amiga e companheira. Sempre prezou pela imagem de antisentimentalista mas agora era pra valer. Pensou também onde estaria seu amigo Hanta, moravam perto um do outro, mas estudavam em séries diferentes. Por fim ficou em silêncio pensando no próximo passo.
Mark não sentia por ninguém. Não estava preocupado com ninguém em especial, apenas queria de alguma forma fazer algo importante. Com ou sem o grupo.
Davi abaixou a cabeça, olhou para a mesa. Ele sabia que, na maioria das vezes, era ele quem coordenava os trabalhos e projetos, mas que aquilo não era nenhum trabalho escolar, sabia que ali estariam todos lutando por sua vida. No grupo não havia um líder mas sim, quatro líderes e, para que a idéia de um fosse aceita todos deveriam concordar. Sabia que o fardo que iriam carregar era grande. Seu coração pesava por muitas pessoas, algumas em especial mas nunca deixaria isso transparecer.
-Diego, Douglas, Mark, Daniel, Thiago, Alan, Catarina, Jackeline, Ana e Davi. Essa é minha indicação. – falou calmamente Davi, deixando uma folha de papel com os nomes anotados em cima da mesa em que estavam sentados - No mínimo teremos uma arma para cada um, sem contar com as que já possuíamos. Por favor, façam o que acham que é certo – dizendo isso se retirou.
Suas escolhas foram um por motivos óbvios. As pessoas que estavam mais próximas: Mark, Douglas e Daniel, Diego por ser do grupo e ser muito inteligente. Alan por que era atleta, tinha um bom físico além de ser criativo, teria que levar Janaína não por vontade própria, mas por que Alan não iria sem sua namorada. Escolheu Thiago e Catarina por serem nerds que lhe seriam úteis além de que Davi e Thiago eram amigos faz muitos anos. E Ana por que tinha conhecimentos que quase ninguém “normal” teria, embora não tivessem quase proximidade.
Entrou na sala sentiu os olhares sobre si, sentou-se ao seu canto. Diego estava, pra variar, com as meninas que não desgrudavam dele. Seus ombros estranhamente estavam pesados. Havia escolhido as pessoas como sempre as escolhia... como ferramentas.










Espero que tenham gostado, e na próxima semana : Capítulo III - A PRIMEIRA NOITE 

domingo, 3 de abril de 2011

♞ CAGLIOSTRO ♞

Olá caros leitores(as). Peço-lhes desculpas pelos mais de 2 meses de inatividade, mais imprevistos sempre acontecem e só aumentam a expectativa para o próximo capítulo. ALFA já avançou desde a última postagem mas eu não o considero pronto, ainda, para publicá-lo. Bom, assim para saciar-vos, deixo aqui o início de um outro conto chamado CAGLIOSTRO que comecei a escrever em uma comunidade de contos e trago para este blog agora. Espero que gostem, boa leitura e qualquer/toda sugestão é bem vinda.

Para os que curtem essa parafernália eletrônica meu twitter é @daviarteac . Ainda estou começando a usar (risos). Chega de papo, vamos ao conto!


Cagliostro
24 set 

O som da chuva nos telhados de cerâmica das antigas casas compunham uma 

sinfonia harmônica sendo acompanhada pelo som que o choque das gotas produziam ao se chocar contra a rua calçada de pedra.


O melódico e exótico som era vez ou outra marcada pelo ensurdecedor som dos trovões, a fúria da natureza parecia cair sobre aquela pequena viela espanhola. O compasso da música era dado pelo som cadenciado do duro solado das minha botas batendo contra os paralelepípedos que outrora, no passado, haviam presenciado tempos de glória e prosperidade, mas que ultimamente recebiam apenas a chuva e o lixo.



Essa noite as paredes presenciariam uma cena que não testemunhavam há séculos.


Não havia ninguém nas ruelas, a lama chapiscava na barra de minha capa. A cada passo eu estava consiente de todo e qualquer barulho, por mínimo ruído que seja, a origem de cada tilintar metálico proveniente de meus bolsos, cintos e coldres.


Os lampiões jaziam apagados, balançando e rangindo a cada rajada furiosa de vento. O céu clareava como uma tenebrosa pintura surrealista a cada lampejo, seguido de um estrondo... estaria o martelo de Thor forjando alguma arma nos céus?



Todas as luzes apagadas dentro das casas, nem ao menos os bares e prostíbulos estavam abertos. A rua estava morta. Apenas duas criaturas moviam-se na cidade: a caça... e o caçador...A maioria acha que alguém na minha posição deveria estar nervoso, tenso, com medo, esses sentimentos fúteis dos humanos... Mas não... Já sou experiente... Meu campo de visão resumia-se apenas à borda do capuz de minha capa, a grossa cortina de água não me deixava ver mais que dez metro e meio, mas meus olhos ENXERGAVAM muito mais. Meus tímpanos vibravam como um sonar.



Pode parecer sobre humano mas ainda não viste a amaldiçoada alma que perambula do outro lado da cidadela. Ela já havia detectado-me e com seus poderoso membros de locomoção, vinha ao meu encontro. Apenas um sairía inteiro daquele lugar...


A criatura não era nada discreta ao se aproximar, eu podia sentir as vibrações de seu galope no chão molhado, suas unhas riscando a pedra secular eram um zumbido em meu ouvido, estaria à minha frente em pouco minutos. Continuei andando, observava o rastro de destruição nas paredes casas, telhado. Mas um trovão ensurdecedor. Os habitantes estavam encolhidos em seus cubículos que com orgulho chamam de casa. Nenhum tinha a coragem ou a loucura de encarar seus medos personificados ali fora na forma daquela besta.

As poças d'água tremiam e faziam ondulações com a vibração da corrida desenfreada da besta. Respirei fundo, fechei os olhos e com uma mão retirei o capuz, senti a chuva molhar meus cabelos e as gotas escorrerem pelo meu rosto, virei a face para os céus, com os olhos fechados, murmurrei uma súplica e olhei para frente, estava pronto! agora não havia espaço para a dúvida e hesitação, muito menos para o medo...


Bom meus caros, espero que tenham gostado, este conto continua dependendo dos comentários...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

♞ ALFA - Capítulo I - Uma desagradável surpresa


Olá pessoal, como vão? Peço desculpas pela demora do Capítulo 1 mas fiquei um tempo sem nem e computador^^. Espero que gostem, e toda e qualquer sugestão é bem vinda.

ALFA
-Cap.I -
Uma desagradável surpresa 

Todos se sobressaltaram, alguns tentaram se levantar mas foram impedidas por um novo tremor, o professor fiscal fez sinal e deu ordem para manterem a calma e saiu da sala para ver do que se tratava, todos estavam tensos. Logo em seguida um estrondo cortou os ares acima do colégio, era o som de um poderoso motor de helicóptero. Imediatamente as janelas foram abertas, um Black Hawk caía descontroladamente, girava no ar perdendo altura rapidamente, estava parcialmente em chamas. Antes de tocar o solo, um míssil foi disparado e acertou em cheio o andar de baixo da sala onde estavam.
Naquele momento, naquele instante, sem nem ao menos saberem o porquê, os quatro colegas sentiram algo dentro de si que nunca haviam sentido antes, era um manual de instruções completo que havia acabado de ser carregado em seus cérebros, não sabiam como mas sabia o quê fazer! Aquela era a hora exata de agir.
Os alunos entraram em pânico, corriam de um lado para o outro Davi deu um soco no braço de Douglas que entendeu o recado e fez sinal para Diego e Daniel ficarem e botarem ordem na sala, assim que os dois saíram, com muita dificuldade Daniel e Diego barraram a porta com a mesa e começaram a berrar ordens para ficarem quietos.
Douglas e Davi correram pelo corredor e quando viraram à esquerda e viram o corredor do 1º ano, havia uma enorme cratera na parede de uma das salas, Davi apontou para o céu, um rastro de fumaça fazia um desenho rodopiante no ar antes de se dividir em dois, o rastro menor ia diretamente para onde estavam.
- O Black Hawck disparou contra o colégio?-pergunta Douglas
-Não sei, mas é o que parece, não é?-grita Davi para se sobrepor ao barulho da multidão
-Olhe! No teto do colégio!!!-fala Douglas – Outro helicóptero!
-Um Robinson 22! O que ele está fazendo ali? – fala Davi
-Vamos ver! –grita Douglas começando a correr, sendo logo alcançado por seu colega
Recebiam tombos, e tinham que fazer esforço para não se chocar e cair no meio do corre-corre. Uma voz estridente berrava pelas caixas de som espalhadas pelo estabelecimento, era a coordenadora do colégio, tentando, sem muito sucesso, restabelecer a ordem.
Nunca tinham entrado naquela parte do colégio, a parte dos oficiais, apenas pessoas autorizadas entravam ali, subiram mais um pouco até chegarem ao telhado, um Robinson 22 preto estava prestes a decolar, Davi correu mais rápido alcançando a aeronave antes que a porta se fechasse.
-Diretor?! O que está havendo? – berrou, pois as hélices já giravam
-Não sabemos, recebemos instruções de nossa Ordem faz poucos minutos para deixarmos esse continente...
-Ordem?!- aquilo era muito confuso
-É complicado explicar agora, vá para casa e não saia de lá até que isso se acalme! –as hélices agitavam tudo ao redor
-E o colégio?
-Esqueça o colégio! Deixe-o! Deixe esse país vá o mais longe possível!
-Mas temos que lutar! – falou bravamente Douglas que se pronunciava ao diretor pela primeira vez em muito tempo
-Como vamos nos defender diretor? –perguntou Davi
-Senhor, temos que partir. –informa o piloto
-Escutem o diretor de vocês, vão para casa meninos! Tomem isso – falou o coordenador atirando uma mochila aos pés dos jovens- Agora vão! –falou fazendo sinal para o piloto subir. E assim fez a aeronave, decolando e subindo aos poucos, a porta se fechava, tendo como última imagem do seu interior a expressão de tristeza de diretor.
-O que é isso? – Perguntou Douglas
-Não sei.- respondeu Davi se abaixando e abrindo a mochila. Arregalou os olhos, mal podia acreditar naquilo.
-O quê foi?! Fala logo! – fala Douglas ao ver a cara de espanto do colega. Em resposta, Davi abre a mochila e despeja no chão seu conteúdo, duas pistolas Glock 9mm, quatro cartuchos e um equipamento de primeiros socorros.
-Isso vai nos ser útil – fala Davi atirando a mochila nas costas – Sabe mexer nisso? – Pergunta para Douglas se referindo às armas em sua mão
-Eu aprendo rápido? E você? Sabe? – pergunta começando a descer as escadas
-Apenas na teoria. –responde o outro com um sorriso apreensivo, olhava de um lado para o outro, enquanto armava as pistolas tentando se lembrar de alguns vídeos que tinha visto. Os dois tinham um péssimo pressentimento... Algo de muito ruim estava acontecendo e não sabia o que era, por enquanto...



Nos vemos semana que vem...