sábado, 25 de fevereiro de 2012


A Dama do Corselet Rendado


Ele a ajudou a amarrar  o corselet da base dos quadris  até o fim das costas, um pouco abaixo dos ombros.A fita de cetim comprimia e definia-lhe as formas do corpo à medida que ele formava os nós,um a um.Mordiscou-lhe o pescoço,num movimento inesperado,que a fez estremecer.Mesmo após o que acabara de acontecer,não tinha total certeza das intenções de seu amante.A noite anterior havia sido absolutamente surpreendente.Atração fácil,esmagadora.Não era do seu feitio,misturar os campos de atuação.Mas,seduzir aquele jovem abastado,pareceu-lhe a melhor maneira de alcançar seu objetivo.Abellardo,pertencia a uma das Famílias-pilares do grupo secreto.Não negava que havia passado uma noite bastante agradável,mas aliar isso ao fato de que ele poderia levá-la à “Chave”,era simplesmente esplêndido.O termo designava a organização de extermínio,que havia convocado sua linhagem há muitos anos atrás.Aquela sina,havia lhe levado a família,a honra,tudo o que lhe era mais caro.Era de sua natureza o desejo de vingança.E sabia que o faria.Virou-separa o jovem robusto e seminu,que ainda a auxiliava com sua vestimenta rendada.Encarou-a de volta,estranhando o olhar gélido que acabara de receber.




-O que há,Miss G.?-Ele perguntou calmamente.Uma expressão de certo divertimento,invadia seu rosto angular.
-Nada que eu não possa resolver.-Respondeu a moça,gelando pelo termo que ele acabara de pronunciar.Seu codinome.Ele não poderia saber disso a menos que...
-A Srta deve ser a Georginna Murdock.-Sugeriu ele.Abotoando a camisa de linho branco.
-A que se refere,senhor?Não se lembra que me chamo Isabela,meu querido?-Desconversou ela,já sentindo a pequena faca que trazia escondida em seu corpete francês.Uma lâmina de cinco centímetros,com sua empunhadura disfarçada num detalhe decorativo da vestimenta,se escondia perfeita e discretamente,sendo de fácil acesso para ela.Um pouco abaixo do busto,na curva da cintura.


-Não é isso que diz sua expressão,minha cara,Miss G.Sei que estava à minha procura.Sei o que quer.
-Você é a Chave?-Indagou ela,absolutamente pasma.
-Assim como és o Cofre.-Respondeu ele,completando a senha de identificação entre os membros da organização.
Ela não podia acreditar no imenso erro que acabara de cometer.


                                                       CONTINUA...


Bon soir,caríssimos...Aqui estou eu a realizar a minha primeira postagem neste blog ilustríssimo.
Espero que apreciem. ^^


                                                                          Um abraço,
                                                                                                               Dame Auteine.














quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Ordem das Rosas Vermelhas




             -Acho que levarei este! – a estridente voz da idosa  dama o tirou de suas análises, voltando ao seu trabalho, desviou o olhar da vitrine, mas antes de encarar aquela face enrugada ou a pequena jóia que escolhera, o vendedor deu-se o luxo de passar o olhar pela moçoila que acompanhava timidamente a velha. Linda jovem dama. Começou a percorrer os olhos pelos cabelos castanhos de uma tonalidade clara e suave, levemente ondulados, partido ao meio, ladeado por duas tranças que levavam os fios, harmoniosamente, para trás. Embora não pudesse ver, mas imaginava que o longo cabelo descia como uma sinuosa cascata castanha por suas delicadas costas. Seus olhos começaram a percorrer as formas sutis que as sobrancelhas da jovem formavam. Finas, leves e arqueadas. Descendo pelo nariz fino e perfilado, chegou até sua boca, uma fina linha dobrada nos cantos emoldurados pela rosada e húmida carne a quem chama de lábios, subia pela maçã, rosadas como um fruto campestre convidando para ser degustado em uma tarde quente de verão, sua pele macia refletia uma dama jovem, começando sua vida na sociedade em seus plenos quinze anos, quando seus olhos fixaram-se nos dela, ele finalmente pôde lê-la. Viu dentro de sua alma inocente, todas as suas dúvidas, medos, angústias e... desejos. Leu e deleitou-se com o que lia... sua obsessão... sua infância... O rosto do rapaz havia se voltado para o da madame, mas seus olhos demoraram um tempo praticamente imperceptível para dar-lhe atenção, mas o suficiente para...
         -Perfeita... – deixar escapar por entre os lábios em um sussurro penetrante. – Não poderia ter feito melhor escolha. - falou suavemente para dama.
         -Claro que não! – respondeu-lhe com sua estúpida arrogância – O que achou Clarice? – notava naquela tom de voz, um desprezo muito bem escondido, a opinião da jovem pouco importava no momento.
         Foi como uma melodia para seus ouvidos, era suave, era doce e preenchia seu peito de fervor, quando os lábios rosados formaram aquelas palavras, seu significado pouco importava, o som... o som tímido e sereno preencheu seus ouvidos e a frase fora esculpida no ar como uma obra de arte é esculpida em mármore Carrara.
         -É lindo mamãe, maravilhoso.
         Mas seus olhos não brilharam como era de costume nas pessoas, principalmente as jovens noivas e os vigaristas, quando encaravam uma preciosidade de seu agrado. Seus lindos orbes castanhos refletiram uma memória... uma memória longínqua mas que recentemente havia retornado para assombrá-la, mas não conseguiu distinguir, o que o deixou mais intrigado, se era uma memória boa ou ruim... o vendedor não havia cogitado a possibilidade de ser as duas em tempos diferentes, o antagonismo complementar atemporal da vida das pessoas ainda era um grande mistério que estava sendo desvendado por ele.
         Podre homem, preso em seus dons que o atormentavam como uma maldição. Mais miseráveis ainda, aqueles que o cercam. Cercar uma vil criatura como tal, a fim de arrancar algum proveito tem seu preço e há de cobrar um preço demasiadamente caro para a maioria dos mortais, algo pelo qual se preza... pelo qual se vive; o preço pago não é a vida, mas sim o sentido de viver e sentir. Para os imortais, o tormento de caírem no esquecimento supera qualquer tortura física. Para essas almas excêntricas não há limites para sua ambição.

***



Espero que tenham gostado, o mesmo trato, continuo a postar com comentários...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Sobreviventes - Mundo despedaçado

- Corre! Corre! Coorre! – Igor repetia a palavra intensamente, enquanto voava como o vento.

O chão, os carros, as pedras, a cidade inteira parecia estar se erguendo, se levantando para pular em um abismo. Tudo o que eles faziam era correr como loucos, tentando subir a ladeira que ficava cada vez mais íngreme.

- Cuidado! –Um grito, um empurrão e Cris desvia ele mesmo e Igor de uma moto que caía a toda velocidade.
- Putaquepariu! Continua!

A destruição tinha acabado, as ruas e as casas estavam rachadas, mas eles não pararam. Seguiram correndo em frente até chegar em um espaço aberto, mais acima no Mont Serrat.
Aparados por um muro viram toda a destruição que havia acontecido na região próxima à praia.
As casas eram abraçadas pelo mar, a igreja havia simplesmente sumido. O forte estava em uma elevação maior do que o de costume, carros boiavam no mar e uma cratera gigantesca estava na Bahia de Todos os Santos, dragando a água, embarcações e todo tipo de coisa que houvesse por perto.

- O que diabos aconteceu? O... QUE DIABOS ACONTECEU!? – Passou uma senhora correndo com seu cachorro ensanguentado nos braços, em pânico em meio ao caos. –Socorro! Socorro!
- Velho... – Cris não conseguia pensar em muita coisa - Temos que dar o fora... Algo me diz que não acabou ainda... –Coçou a barba grande lentamente.
- Eu tenho que passar em casa rápido. Eu tenho me preparado pra esse dia. - Igor olhou sério para o amigo, mostrando falar a verdade.
- Como assim?
- Depois eu te explico.
Cris assentiu, nervosamente. Pegou o celular que tinha acesso a Tv e sintonizou em um canal de notícias. A história era a mesma no mundo todo. Tudo desmoronando, tudo caindo em pedaços, toda a humanidade posta em risco.

> Em Salvador, perto das regiões litorâneas houve desabamentos, deslizamentos gigantescos de terra... Na região metropolitana há engarrafamentos, desabamentos e um helicóptero caiu na Praça do Campo Grande... Não há notícias sobre mortes ainda, mas têm-se informações sobre desaparecidos, um número que já passa de Os bombeiros indicam que os cidadãos não saiam de casa. Ou procurem abrigo mais próxi...

-Não saiam de casa? Pff. Não se deve acreditar em tudo que a tv diz. – Igor disse, com um ar depreciativo. - Vamos. Vamos buscar meus suprimentos.

Continua

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Ordem das Rosas Vermelhas

A Ordem das Rosas Vermelhas







O JOALHEIRO



-São lindos!
         -São brilhantes cravejados em ouro branco, minha senhora.
         -Realmente muito lindo...
         -Esta esmeralda foi polida e lapidada cuidadosamente até sua última aresta.
         -Maravilhosa.

“Sim, maravilhosa...” pensou o jovem rapaz que estava parado do lado interno do balcão. Permitiu-se desviar o olhar da madame pomposa que, de forma tão indecisa escolhia um anel. Desviou o olhar para além do vidro da joalheria onde as pessoas passavam apressadas, outras paravam e, como se estivessem hipnotizadas, acariciavam com o olhar, cheio de desejo, aquelas peças que jamais teriam. No que pensariam? O que passaria por duas mentes obscuras quando admiravam os símbolos de ostentação de um mórbido poder?  O brilho da ganância era refletido em seus olhos até que... despertariam de seu torpor. Trazidas com violência para a sua realidade. Continuariam trilhando os caminhos de sua existência. Para elas, aquela vitrine voltaria a assombrar suas mentes. Para o jovem vendedor, aquelas pessoas deixariam de existir à partir do momento em que saíssem de seu campo de visão, limitado pala vitrine.


         Continua...


Gostaram? Comentem ^^ Continuação da história com comentários!